sexta-feira, 9 de março de 2012

O Ciclo Pascal



Ciclo Pas­cal  que com­pre­ende a Qua­resma, a Semana Santa, o Tempo Pas­cal pro­pri­a­mente dito, e encerra-se com o Pen­te­cos­tes.  

No século IV, desenvolveu-se a tra­di­ção de revi­ver e refle­tir de um modo mais sis­te­ma­ti­zado, os momen­tos da pai­xão, isso deu ori­gem às cele­bra­ções da Semana Santa. Desde o século III as vés­pe­ras da Pás­coa já eram dias de refle­xão. Os cate­cú­me­nos que por dois anos vinham sendo pre­pa­ra­dos, agora eram acom­pa­nha­dos por toda a comu­ni­dade. Inspirando-se nos qua­renta dias de pre­paro de Jesus para seu minis­té­rio, nas­ceu o período da qua­resma. Assim, em torno da cele­bra­ção da morte e res­sur­rei­ção de Jesus, desenvolveu-se todo o Ciclo Pas­cal do Calen­dá­rio Litúr­gico Cris­tão, mar­cado pela peni­tên­cia e con­fis­são, mas tam­bém pela ale­gria e exul­ta­ção do cru­ci­fi­cado e ressuscitado.
No ciclo da páscoa somos convidados a reviver a caminhada pascal do Senhor Jesus. A força do seu Espírito nos enche de alegria, para cantarmos a vitória enquanto ainda lutamos.
Qua­resma é o período no qual se enfa­tiza a impor­tân­cia da con­tri­ção, do pre­paro e da con­ver­são. Inicia-se no qua­dra­gé­simo dia antes da Pás­coa (não se con­tam os domin­gos). O iní­cio na Quarta-feira de Cin­zas retoma à tra­di­ção bíblica do arre­pen­di­mento com cin­zas e ves­tes de saco (Jn 3.5 – 6). É um momento opor­tuno para refle­tir sobre a con­fis­são e o valor do per­dão de Deus.
Na quaresma, lembramos os quarenta anos do povo de Deus no deserto e revivemos os quarenta dias de deserto que Jesus viveu, preparando-se para a sua missão. É tempo de nos consagrarmos mais à escuta da palavra de Deus, à oração e ao maior domínio de nós mesmos, para nos converter ao Cristo e ao seu reino. Deixando de lado tudo o que ficou para trás, dediquemo-nos à oração e, "na alegria do Espírito Santo, esperemos a santa páscoa" (Regra de São Bento).

Qua­renta dias de Jesus no deserto (Mt 4.2; Lc 4.1ss);
Qua­renta dias de Moi­sés no Sinai (Êx 34.28);
Qua­renta anos do povo no deserto (Êx 16.35);
Elias em dire­ção ao Horeb (1Rs 19.8).

Principais celebrações
Quarta-feira de cinzas; 1º, 2º, 3º, 4º e 5º domingos da quaresma; domingo de ramos;
missa dos santos óleos; celebrações penitenciais; celebrações catecumenais; ofícios cotidianos, como meio de intensificar a oração.
Símbolos
A cor roxa, as cinzas e a cruz lembram o caráter de penitência e conversão. O jejum (com cabeça perfumada) nos convida a dar mais atenção à palavra de Deus. A campanha da fraternidade pede para caracterizar o esforço comunitário de conversão por meio de um serviço bem concreto e de gestos de solidariedade.



Semana Santa tem iní­cio no Domingo de Ramos, cele­bra­ção de Cristo como o Mes­sias, sal­va­dor dos pobres, o rei dos humil­des. Reflete-se, nessa semana, passo a passo, os últi­mos momen­tos da vida de Jesus.
Este é o momento da vigí­lia de pre­paro para a ressurreição.
Sua espi­ri­tu­a­li­dade chama-nos a aten­ção para os momen­tos finais de Jesus até o ápice de sua paixão:
A Santa Ceia (Mt 26.17 – 30);
O Lava-pés (Jo 13.1 – 17);
Jesus no Get­sê­mani (Mt 26.36 – 46; Mc 14.26 – 31);
O jul­ga­mento, sepul­ta­mento e a cru­ci­fi­ca­ção (Mt 27; Mc 15; Lc 23; Jo 19).
Pás­coa¸ pro­pri­a­mente, é a festa da res­sur­rei­ção e da liber­ta­ção. Um novo Êxodo ocorre, e a huma­ni­dade passa do cati­veiro da morte para a vida.
Sua sole­ni­dade pode iniciar-se já na Quinta-Feira Santa (ins­ti­tui­ção da ceia), que dá iní­cio ao cha­mado Trí­duo Pas­cal. Con­tudo a cele­bra­ção da res­sur­rei­ção começa com uma vigí­lia na noite de sábado encon­trando sua ple­ni­tude no rom­per da aurora do Domingo da Pás­coa, quando Cristo é lem­brado como o sol da jus­tiça que traz a luz da nova vida, na ressurreição.
O tríduo pascal é a celebração maior para as comunidades cristãs. Na vitória de Jesus saboreamos a nossa própria vitória sobre as forças da morte que imperam neste mundo. Também nos animamos uns aos outros a assumir com garra e gosto a causa da vida, até que a páscoa definitiva, a libertação completa aconteça no reino de Deus. 
Duração
O tríduo pascal tem início com a comemoração da última ceia do Senhor, na quinta-feira à noitinha, e termina com a celebração do domingo da ressurreição.

A espi­ri­tu­a­li­dade nor­te­a­dora da Pás­coa aponta para a res­sur­rei­ção nos mais vari­a­dos rela­tos das comu­ni­da­des do século I d.C.:
A res­sur­rei­ção (Mt 28.1 – 20; Mc 16.1 – 8; Lc 24.1 – 12; Jo 20.1 – 18; At 1.14);
Cân­ti­cos Pas­cais (Sl 113 ao 118 e Êx 12).
Entre os hebreus, era comum a cele­bra­ção da cha­mada “festa das sema­nas” ou Pen­te­cos­tes, isso por­que ela se dava sete sema­nas, ou cinqüenta dias, após a Pás­coa. Nela, o povo dava gra­ças ao Senhor pela colheita. Mais tarde, adqui­riu mais uma dimen­são cele­bra­tiva, a da pro­cla­ma­ção da lei (ins­tru­ção) no Sinai, cinqüenta dias após a liber­ta­ção do Egito.
Na era cristã, o Pen­te­cos­tes tornou-se o último dia do ciclo pas­cal, quando celebra-se a che­gada do Espí­rito Santo como aquele que atu­a­liza a pre­sença do res­sus­ci­tado entre nós, dando força para que as comu­ni­da­des sejam tes­te­mu­nhas de Jesus na história.
A espi­ri­tu­a­li­dade que nos ori­enta nesse período fala da pre­sença conso­ladora do Espí­rito que semeia nos cora­ções a espe­rança do Reino de Deus e nos impul­si­ona para a missão:
Festa das sema­nas (Êx 34.22; Lv 23.15);
Jesus pro­mete o Con­so­la­dor (Jo 16.7);
Jesus res­sus­ci­tado sopra seu Espí­rito (Jo 20.22);
A che­gada do Espí­rito Santo no dia de Pen­te­cos­tes (At 2).


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