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segunda-feira, 2 de abril de 2012

Requisitos para fazer uma boa confissão



1º Exame de Consciência: Rezar e pensar nos pecados cometidos. Examinemos a nossa consciência e lembremo-nos dos pecados que hoje cometemos por pensamentos, palavras, atos e omissões:
a) Nas nossas orações e outros exercícios de piedade;
b) No respeito e docilidade para com os nossos pais e quaisquer outros nossos superiores e no cumprimento de nossas obrigações;
c) No cuidado sobre os nossos sentidos, particularmente a vista e a língua; se falamos mal do próximo; se proferimos alguma palavra grosseira ou desonesta;
d) Nas ações, pensamentos e afeições: se houve alguma coisa menos digna ou desregrada;
e) No exercício da caridade: se maltratamos o nosso próximo e se, podendo socorrer alguém, deixamos de fazê-lo 

2º Contrição ou arrependimento: Tristeza dos nossos erros e de nossa falta de amor a Deus. 

3º Propósito: Evitar o pecado e servir a Deus com mais amor. 

4º Confissão: Acusação clara e objetiva dos pecados ou falhas cometidas. Não tenha medo, receio ou vergonha de abrir seu coração para um padre. Por Jesus Cristo, só ele tem o poder de perdoar nossos pecados. Qualquer pecado! Desde que estejamos sinceramente arrependidos. Deus detesta o pecado, mas ama o pecador. É preciso saber também que para ser perdoado, precisamos também perdoar aquele que nos ofende, pois quando perdoamos alguém, o grande beneficiado somos nós mesmos. Não devemos confessar por medo e sim para voltar à graça de Deus

5º Penitência: Nos é dada pelo sarcedote para demonstrarmos nosso arrependimento e a firmeza de nosso propósito de evitar pecar e de reparar as falhas cometidas.

Os efeitos espirituais do Sacramento da Penitência são:

1.A reconciliação com Deus, pela qual o penitente recobra a graça;
2.A reconciliação com a Igreja;
3.A remissão da pena eterna devida aos pecados mortais(são três os tipos de pecados: venial, que é uma falta leve; mortal, que é uma falta grave; e o pecado da omissão) 
4.A remissão, pelo menos em parte, das penas temporais, sequelas do pecado;
5.A paz e a serenidade da consciência e a consolação espiritual;
6.O acréscimo de forças espirituais para o combate cristão.

Sem o perdão de Jesus vivemos como filhos pródigos (Lc 15, 11-24). Na parábola do filho pródigo encontramos todos estes requisitos: fazer o exame de consciência, admitir o erro, ter o propósito de voltar para o Pai, confessar e adimitir-se pecador diante do Pai e proferir a sua penitência. "Não sou mais digno de ser chamado seu filho". 

Santa Terezinha do Menino Jesus dizia: "Os nosso pecados por mais feios e numerosos que sejam, desaparecem diante da bondade de Deus, como uma gotinha de água no oceano imenso." O Pai do céu nos ama tanto que nos quer sempre perto dele.

Ato de Contrição
Meu Deus, em me arrependo de vos ter ofendido. Prometo me esforçar para não pecar mais. Meu Jesus, misericórdia. Amém.

sexta-feira, 30 de março de 2012

As quatro velas



Quatro velas estavam queimando calmamente. O ambiente estava tão silencioso que se podia ouvir o diálogo que tratavam.

A primeira disse: 

– Eu sou a Paz! Apesar de minha luz, as pessoas não conseguem manter-me, acho que vou apagar. 

E diminuindo devagarzinho, apagou totalmente.

A segunda disse: 

– Eu me chamo ! Infelizmente sou muito supérflua. As pessoas não querem saber de Deus. Não faz sentido continuar queimando. 

Ao terminar sua fala, um vento bateu levemente sobre ela, e esta se apagou.

Baixinho e triste a terceira vela se manifestou: 

– Eu sou o Amor! Não tenho mais forças para queimar. As pessoas me deixam de lado, só conseguem se enxergar, esquecem-se até daqueles à sua volta que os amam.

E sem esperar, apagou-se. 

De repente... entrou uma criança e viu as três velas apagadas: 

– Que é isto? Vocês deviam ficar acesas e queimar até o fim.

Dizendo isso, começou a chorar. 

Então, a quarta vela falou: 

– Não tenha medo, criança. Enquanto eu queimar podemos acender as outras velas. Eu sou a Esperança!

A criança, com os olhos brilhantes, pegou a vela que restava e acendeu todas as outras.

Que a vela da esperança nunca se apague dentro de nós!

terça-feira, 27 de março de 2012

O grão de trigo precisa morrer para poder nascer...



Evangelho - Jo 12,20-33

Naquele tempo:
20Havia alguns gregos
entre os que tinham subido a Jerusalém,
para adorar durante a festa.
21Aproximaram-se de Filipe,
que era de Betsaida da Galiléia, e disseram:
'Senhor, gostaríamos de ver Jesus.'
22Filipe combinou com André,
e os dois foram falar com Jesus.
23Jesus respondeu-lhes:
'Chegou a hora
em que o Filho do Homem vai ser glorificado.
24Em verdade, em verdade vos digo:
Se o grão de trigo que cai na terra não morre,
ele continua só um grão de trigo;
mas se morre, então produz muito fruto.

25Quem se apega à sua vida, perde-a;
mas quem faz pouca conta de sua vida neste mundo
conservá-la-á para a vida eterna.
26Se alguém me quer servir, siga-me,
e onde eu estou estará também o meu servo.
Se alguém me serve, meu Pai o honrará.
27Agora sinto-me angustiado. E que direi?
`Pai, livra-me desta hora!'?
Mas foi precisamente para esta hora que eu vim.
28Pai, glorifica o teu nome!'
Então, veio uma voz do céu:
'Eu o glorifiquei e o glorificarei de novo!'
29A multidão que lá estava e ouviu,
dizia que tinha sido um trovão.
Outros afirmavam:
'Foi um anjo que falou com ele.'
30Jesus respondeu e disse:
'Esta voz que ouvistes não foi por causa de mim,
mas por causa de vós.
É agora o julgamento deste mundo.
Agora o chefe deste mundo vai ser expulso,
32e eu, quando for elevado da terra,
atrairei todos a mim.'
33Jesus falava assim
para indicar de que morte iria morrer.

REFLEXÃO DO PROF. JOÃO LUIZ
Vivemos num mundo onde uma das grandes tentações é a vaidade. E quando a pessoa tem dinheiro e ou poder, essa tentação é quase irresistível...
Fogueiras de vaidade queimam em ambientes de trabalho, dentro da Igreja, e até mesmo na convivência familiar...
Esse é um problema humano tão sério, que está contemplado entre as tentações de Jesus no deserto (a tentação do ter recursos materiais, a tentação do poder sobre todos os reinos deste mundo); conforme esse texto em Mateus, a tentação central é justamente a da vaidade: “Então o diabo o levou à Cidade Santa e o colocou sobre o cimo do Templo e disse-lhe: ‘Se és Filho de Deus, atira-te para baixo, porque está escrito: Ele dará a ordem a seus anjos a teu respeito, e eles te tomarão pelas mãos, para que não tropeces em alguma pedra’.” (Mt 4,5).
Não é à toa que esse cenário da tentação da vaidade seja justamente Jerusalém.
No Evangelho deste domingo, Jesus está em Jerusalém, o lugar onde ardem fogueiras de vaidade. Ali alguns judeus gregos querem vê-lo, numa alusão de que a sua fama já alcançara o espaço além das fronteiras.
Ao saber disso, Jesus como que medita em voz alta: Chegou a hora em que o Filho do Homem vai ser glorificado.
E, para expressar que tipo de glória (uma das mães da vaidade) o espera em Jerusalém, reporta-se à metáfora do grão de trigo, que é pertinente não só para o desfecho da missão que Jesus abraçou, mas para todos nós, em nossas fragilidades pessoais, que vivemos tentados pela vaidade.
Se o grão de trigo que cai na terra não morre,
ele continua só um grão de trigo;
mas se morre, então produz muito fruto.
Na literatura sapiencial da Bíblia, o livro do Eclesiastes é um dos textos mais críticos com relação a essa vaidade humana. Não é à toa que começa e termina com a mesma frase: “Vaidade das vaidades, tudo é vaidade...” (1,2). O livro aponta ao ser humano sua miséria e grandeza, mostrando-lhe que este mundo é digno dele. Procura levar o leitor a seguir uma religião desinteressada, uma oração que seja adoração provinda da consciência (fruto da vivência) de que a criatura necessita constantemente colocar-se diante da face do mistério de Deus para perceber a sua fragilidade e o seu real tamanho (cf. Sl 39).
Se o grão de trigo que cai na terra não morre,
ele continua só um grão de trigo;
mas se morre, então produz muito fruto.
No evangelho deste domingo, Jesus não se ilude com a aclamação das pessoas. Não se envaidece de ser conhecido e procurado por muitos.
Quem quiser segui-lo é bem-vindo. Mas saiba que tem de ir até o fim, até às últimas conseqüências da missão (com todos os riscos que daí advêm, inclusive o da própria morte). Essa Missão é perigosa porque mexe com os interesses e o orgulho dos que dão sustentabilidade aos Impérios deste mundo. A Missão de instaurar uma nova sociedade, Reino de Deus, cujo fundamento é o amor serviço, produzindo muitos frutos em prol dos do bem comum, é desestruturaste, ou seja, quebra as estruturas de dominação vigentes; é também subversivo porque subverte a ordem estabelecida, cujo alicerce está no TER e no PODER.  
O grão que morre para dar lugar à plante e ao fruto, pode ser interpretado como mudança de mentalidade, rompimento com a ideologia dominante, verdadeira conversão para assumir os critérios do Reino de Deus, cuja lógica não gera orgulho pessoal (estéril e daninho para a sociedade), mas o dom de si mesmo, como o intuito tão somente de produzir ações (frutos) em prol do bem comum.